sábado, 10 de janeiro de 2026

Saúde Mental no Trabalho, NR-1 e Carreira: uma conexão cada vez mais necessária



















A saúde mental no trabalho deixou de ser apenas um tema de conscientização para se tornar uma responsabilidade legal e estratégica das empresas. Nesse contexto, a NR-1 – Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais assume um papel central.

A NR-1 estabelece as diretrizes básicas para a implementação do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), exigindo que as organizações identifiquem, avaliem e controlem os riscos presentes no ambiente de trabalho. Entre esses riscos, os riscos psicossociais — como excesso de pressão, sobrecarga, conflitos interpessoais, assédio, falta de clareza de papéis e jornadas exaustivas — passam a ter destaque.

Embora a norma já esteja em vigor desde 3 de janeiro de 2022, a exigência plena de sua implantação foi prorrogada e passará a ser cobrada a partir de 25 de maio de 2026 e as empresas serão obrigadas a implementar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme previsto na NR-1. Embora ainda exista muita dificuldade prática na aplicação dos riscos psicossociais, a norma deixa claro que a saúde mental do trabalhador faz parte da prevenção em saúde e segurança do trabalho.

Essa mudança é extremamente relevante, especialmente quando observamos o crescimento de casos de Burnout, ansiedade, depressão e adoecimentos emocionais relacionados ao trabalho — temas sobre os quais já venho refletindo e escrevendo há algum tempo.

Do ponto de vista da minha atuação como Orientador e Coach de Carreira, a NR-1 reforça algo que vejo diariamente na prática: muitas vezes, o sofrimento emocional não está apenas na pessoa, mas na incompatibilidade entre o profissional, sua função, o ambiente organizacional e a forma como o trabalho está estruturado.

Orientar uma carreira hoje não é apenas ajudar alguém a escolher um curso ou mudar de emprego. É também:

·  analisar valores, perfil emocional e expectativas;

·  refletir sobre ambientes de trabalho mais saudáveis;

·  prevenir escolhas profissionais que levem ao adoecimento;

·  apoiar processos de transição de carreira quando o trabalho deixa de fazer sentido ou passa a gerar sofrimento.

A NR-1, ao incluir os riscos psicossociais no centro das discussões, abre espaço para um olhar mais humano sobre o trabalho e reforça a importância de ações preventivas, tanto por parte das empresas quanto dos próprios profissionais.

Falar de carreira, hoje, é falar de saúde mental, propósito, equilíbrio e qualidade de vida. E quanto mais cedo essa reflexão acontece — ainda na fase de escolha profissional ou de reorientação de carreira — maiores são as chances de construirmos trajetórias mais sustentáveis e saudáveis.




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