A NR-1 estabelece as diretrizes básicas para a implementação
do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), exigindo que as organizações
identifiquem, avaliem e controlem os riscos presentes no ambiente de trabalho.
Entre esses riscos, os riscos psicossociais — como excesso de pressão,
sobrecarga, conflitos interpessoais, assédio, falta de clareza de papéis e
jornadas exaustivas — passam a ter destaque.
Embora a norma já esteja em vigor
desde 3 de janeiro de 2022, a exigência plena de sua implantação foi prorrogada
e passará a ser cobrada a partir de 25 de maio de 2026 e as empresas serão
obrigadas a implementar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), conforme
previsto na NR-1. Embora ainda exista muita dificuldade prática na aplicação
dos riscos psicossociais, a norma deixa claro que a saúde mental do trabalhador
faz parte da prevenção em saúde e segurança do trabalho.
Essa mudança é extremamente relevante, especialmente quando
observamos o crescimento de casos de Burnout, ansiedade, depressão e
adoecimentos emocionais relacionados ao trabalho — temas sobre os quais já
venho refletindo e escrevendo há algum tempo.
Do ponto de vista da minha atuação como Orientador e Coach
de Carreira, a NR-1 reforça algo que vejo diariamente na prática: muitas vezes,
o sofrimento emocional não está apenas na pessoa, mas na incompatibilidade
entre o profissional, sua função, o ambiente organizacional e a forma como o
trabalho está estruturado.
Orientar uma carreira hoje não é apenas ajudar alguém a
escolher um curso ou mudar de emprego. É também:
· analisar valores, perfil emocional e
expectativas;
· refletir sobre ambientes de trabalho mais
saudáveis;
· prevenir escolhas profissionais que levem ao
adoecimento;
· apoiar processos de transição de carreira quando
o trabalho deixa de fazer sentido ou passa a gerar sofrimento.
A NR-1, ao incluir os riscos psicossociais no centro das
discussões, abre espaço para um olhar mais humano sobre o trabalho e reforça a
importância de ações preventivas, tanto por parte das empresas quanto dos
próprios profissionais.
Falar de carreira, hoje, é falar de saúde mental, propósito,
equilíbrio e qualidade de vida. E quanto mais cedo essa reflexão acontece —
ainda na fase de escolha profissional ou de reorientação de carreira — maiores
são as chances de construirmos trajetórias mais sustentáveis e saudáveis.

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